9 de Fevereiro de 2011

magia papoila convida #5

O ruizito foi o nosso primeiro convidado e está de volta, mais uma vez com uma assombrosa mixtape. Neste caso, a primeira mixtape do blog na sua verdadeira essência! Palavras para quê.


Magia Papoila Mixtape #2 by Rui Nogueiro

"E o texto, escrito sempre a abrir bocadinho (aprendi sem querer com a outra que tem ainda mais piada falar um bocado sobre a mixtape!):

Foi a recordar-me da compilação anterior que me surgiu a ideia de, em vez de fazer a habitual mix de música nova que me tem entusiasmado, explorar ainda mais o caminho dessa mix de 2009 e revelar ao mesmo tempo um bocado da minha vida pessoal. Nesta compilação estão algumas das músicas que mais e melhor companhia me fizeram pelos meus longos passeios de final de tarde/noite pela cidade de Lisboa. o faço alguns anos, o que fez com que estas músicas ganhassem um lugar muito especial nas minhas preferências. Fosse qual fosse o meu estado de espírito ou o estado de espirito do dia e da cidade (porque de alguma forma se o transmitem, é porque o têm), estas músicas faziam sempre a paisagem sonora perfeita, como se não fizesse sentido estar a ouvir outra coisa naqueles momentos.

É difícil de explicar ao certo o que me atrai tanto nestas músicas, ao ponto de muitas delas se terem tornado nas minhas músicas preferidas de sempre (sem exagero). Embora até sinta que estamos a viver tempos fantásticos para a música, onde, tal como referia na altura da outra compilação, começam a ser cortados todos os anexos que não lhe fazem falta nenhuma, nota-se muito mais agora o atropelo que é o querer fazer-se ouvir. Géneros nascem e morrem em meses, e cada banda/artista é mencionado como a salvação/diferença num qualquer género saturado (e todos parecem estar saturados). Muitas vezes o mundo da música (tal como o mundo e a vida no geral?) parece um liceu gigante onde muitos tentam atingir algum tipo de destaque e popularidade, onde muitos andam numa luta desmesurada para aparecer, para ser ouvido e aceite, cada um à sua escala.

Não que haja assim tanto mal com isso, mas sinto um bocado que é a inconsciente fuga a isso que me fascina também nestas músicas, têm uma certa estranheza e quase timidez que lhe são muito próprias, uma despreocupação e despretensiosismo que me cativa pela sua naturalidade. São músicas em que parece que o espaço e o tempo ganharam dimensões diferentes, delas, onde nada mais interessa. Tanto parecem ser de décadas longínquas e lugares remotos, como do mais íntimo e familiar que . Não são músicas que tentam ir a algum lado, não são lo-fi simplesmente para ser lo-fi, não são músicas para épocas específicas do ano. Muito menos parecem valer por alguma suposta coolness da obscuridade (em não fazerem parte de uma qualquer manada musical ou por serem eventualmente mais ou menos acessíveis e "intelectuais"), isso é irrelevante. A música nunca se deveria medir pelo mediatismo ou falta dele, mas sim apenas pelo que nos faz sentir. A cada um de nós. Adoro música para fazer suar (do rock à dança), mas às vezes parece que nos esquecemos da música para sentir. E é isto que deixo aqui: pouco mais de hora e meia apenas para sentir e deixarmo-nos levar. Pode ser música estranha, mas é estranhamente bela.

PS: Como muitas destas músicas não têm propriamente um início e fim definido, vão em forma de colagem numa única música contínua, uma viagem única sem paragens."


1. Niggas With Guitars - Comfortable Place
2. Xiphiidae - Glare
3. Thoughts On Air - Shadey Love
4. Tricorn & Queue - Continual Passage (excerpt)
5. Bibio - Carosello Ellitico
6. Pospulenn - Farther Twig and Grasshopper song
7. Arbol Trancemissions - Sun Spread Mist
8. Pete Swanson - Challenger (excerpt)
9. Beru - Daughter of Eve (excerpt)
10. Kane Pour - Untitled
11. Do Tell - Untitled
12. Royallen - Live (excerpt)
13. The Savage Young Taterbug - Live (excerpt)
14. Dialing In - Earl Grey
15. Philip Jeck - Pax
16. Jeffry Astin - Stray Dreams Zodiac (excerpt)
17. Niggas With Guitars - Driving Miss Daisy Dream Sequence

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